Química e composição
Composição do shilajit
O que a literatura descreve sobre a composição do shilajit: substâncias húmicas, minerais, DBPs e variação regional. Para percentagem de ácido fúlvico e HPLC, ver o artigo dedicado.

Shilajit não é uma molécula única: é um fitocomplexo organomineral cuja composição varia com a origem geográfica e com o processamento. Este artigo resume o que revisões científicas e protocolos de teste independentes permitem afirmar, e o que continua incompleto.
Fundamentos: o que é shilajit. Percentagem de fúlvico e métodos: ácido fúlvico no shilajit. Ler o relatório: certificado de análise (COA). Formatos: resina vs cápsulas.
Substâncias húmicas: humina, húmico e fúlvico
A fracção orgânica dominante são as substâncias húmicas, resultado da degradação de matéria vegetal por microorganismos. Classificam-se de forma operacional pela solubilidade em água a diferentes pH:
| Fracção | Nota |
|---|---|
| Humina | Fracção insolúvel em água em qualquer pH (definição operacional). |
| Ácido húmico | Solúvel em condições alcalinas; insolúvel em meio ácido. |
| Ácido fúlvico | Solúvel em água em diferentes pH; frequentemente citado como princípio activo da fracção húmica. |
Na revisão de Carrasco-Gallardo et al. (2012), as substâncias húmicas (incluindo o ácido fúlvico) situam-se na ordem dos ~60–80% do composto nessa leitura. Esse intervalo não significa «60–80% de ácido fúlvico» no rótulo: refere-se ao conjunto húmico.
Ácido fúlvico: resumo
É o constituinte mais citado no marketing. Em caracterizações independentes, resinas situam-se tipicamente na ordem dos ~6–7% de fúlvico e extractos podem chegar a ~60–80% — números de categorias, não lei universal. Sem método (HPLC/titulação) e lote, a % no anúncio não compara marcas. Deep dive (três números misturados, % vs mg/dose, FAQ): ácido fúlvico no shilajit. Formatos: resina vs cápsulas.
Dibenzo-α-pironas e outros compostos orgânicos
Além das fracções húmicas, a literatura refere dibenzo-α-pironas (por vezes descritas como transportadoras de outras substâncias), aminoácidos, ácidos gordos, esteróis, polifenóis e outros metabolitos. A presença e a quantidade dependem da origem e do processo. Nem todos os COAs de retalho quantificam DBPs.
Minerais e oligoelementos
A fracção inorgânica inclui minerais e elementos vestigiais. Revisões citam, entre outros, cálcio, potássio, magnésio e, em algumas descrições, selénio. Proporções não são universais. Em testes independentes a suplementos, o aporte de cálcio por dose foi tipicamente baixo (poucos mg), ou seja: shilajit não deve ser lido como suplemento mineral completo só pelo marketing de «84 minerais».
Metais tóxicos (Pb, Cd, As, Hg) são outra conversa: painel de segurança no COA, não «mineral benéfico». Ver guia COA.
O que ainda não está esclarecido
Uma revisão analítica de 2023 (Kamgar et al.) sublinha que a composição química do shilajit não é conhecida com certeza: falta caracterização completa e padronizada de todas as espécies presentes. Origem, planta/microbiota precursoras e processamento mudam o perfil. Por isso percentagens genéricas sem lote e sem método não autenticam o produto.

Como ler a composição no rótulo ou no COA
- Identifique se fala de húmicos totais ou só de ácido fúlvico.
- Exija método (ex. HPLC, titulação) e unidade.
- Confirme que o valor é do lote do frasco, não de um PDF genérico.
- Compare mg por dose quando possível, não só % no marketing.
- Separe composição de alegações de saúde: ver para que serve.
Critérios de compra: como escolher shilajit.
Perguntas frequentes
O shilajit tem sempre 60–80% de ácido fúlvico?
Não. Esse intervalo na revisão de 2012 refere-se às substâncias húmicas no conjunto. Detalhe das confusões de percentagem: ácido fúlvico no shilajit.
Mais ácido fúlvico significa melhor shilajit?
Não automaticamente. Percentagem alta pode refletir um extracto concentrado, não «mais autenticidade». Ver ácido fúlvico.
O que são dibenzo-α-pironas?
Compostos orgânicos referidos na literatura do shilajit, por vezes associados a funções de transporte no fitocomplexo. Nem todos os produtos comerciais os quantificam no COA.
Shilajit é uma boa fonte de minerais?
Contém minerais, mas em testes a suplementos o aporte de elementos como o cálcio por dose foi tipicamente baixo. Não substitua uma dieta ou um suplemento mineral prescrito só com base no marketing.
A composição muda com a origem?
Sim. Revisões descrevem variação regional. «Himalaias» no rótulo não fixa um perfil químico único. Ver o que é shilajit.
HPLC é obrigatório?
Não é a única técnica possível, mas é uma das usadas em testes independentes a fúlvico. O essencial é método nomeado, resultado e lote. Sem isso, a % não serve para comparar.
Composição prova benefícios de saúde?
Não. Saber o que está no frasco (dentro dos limites do COA) não demonstra eficácia clínica. Evidência e limites: para que serve.
Fontes e referências
- Carrasco-Gallardo et al. (2012). Int J Alzheimers Dis. PMC3296184: húmicos ~60–80% nessa leitura; fúlvico; DBPs; variação
- Kamgar et al. (2023). A Comprehensive Review on Shilajit: Chemical Composition. Crit Rev Anal Chem.: composição incompleta; variação regional; fracção húmica e minerais
- ConsumerLab: Shilajit Supplements Review (resumo público): resinas ~6–7% fúlvico vs extractos ~60–80% nessa caracterização
- ConsumerLab: How Products Were Evaluated (métodos): HPLC e titulação para ácido fúlvico; ICP-MS para metais