Qualidade e prova
Certificado de análise (COA) do shilajit
O certificado de análise (COA) é o documento que liga um lote de shilajit a resultados de laboratório. Este guia explica o que procurar, com foco em metais pesados e ICP-MS.

Shilajit é um material organomineral: a literatura associa o consumo de preparações não purificadas a riscos de contaminantes, incluindo metais e micotoxinas. Por isso a conversa de «pureza» sem documento de lote é incompleta. Este guia explica o que um COA deve mostrar e como interpretá-lo.
Contexto de segurança: contraindicações. Risco e limites de contaminantes: shilajit e metais pesados. Fundamentos: o que é shilajit. Critérios de compra: como escolher shilajit.
O que é um COA (e o que não é)
Um certificado de análise é o relatório do laboratório sobre uma amostra (idealmente o lote comercial). Não é um selo eterno de marca, nem prova de benefício clínico. Também não basta um PDF genérico sem lote, data e método: isso não permite auditar o frasco que está na sua mão.
Checklist: o que o documento deve mostrar
| Campo | Porquê importa |
|---|---|
| Laboratório identificado | Nome do lab (idealmente acreditado, ex. ISO/IEC 17025 quando referido no documento). Relatório anónimo ou só logo da marca vale pouco. |
| Lote / batch | O COA tem de corresponder ao lote do frasco que compra. Relatórios de outros lotes não se fundem. |
| Data do relatório | Data de emissão ou de análise. PDFs genéricos «de sempre» sem lote são marketing, não prova do produto actual. |
| Método | Para metais, ICP-MS (ou equivalente documentado) é o padrão corrente em suplementos e botanicais. Sem método, os números não são comparáveis. |
| Unidades e limites | ppm, ppb, µg/g, µg/kg: a unidade tem de estar explícita. Limites de especificação ou regulatórios usados pelo lab devem ser legíveis. |
| LOD / LOQ vs «não detetado» | «Não detetado» ou «< limiar» não é zero absoluto: é abaixo do limite de deteção ou quantificação do método. Não comparar marcas com limiares diferentes como se fossem o mesmo teste. |
ICP-MS e o painel de metais pesados
Em suplementos e botanicais, a espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS) é uma técnica consolidada para quantificar elementos vestigiais, incluindo arsénio, cádmio, chumbo e mercúrio. Requisitos de desempenho de métodos (ex. AOAC) e revisões de laboratório independente (ex. protocolos tipo ConsumerLab para shilajit) usam ICP-MS neste painel.
Os quatro metais mais citados em controlo de qualidade de suplementos:
- Chumbo (Pb): Metal neurotóxico cumulativo. Em matéria mineral não purificada, os teores podem ser elevados; só certificados de lote permitem avaliação.
- Cádmio (Cd): Associado a risco renal e ósseo a longo prazo. Exige painéis de metais pesados por lote, com método e unidade claros.
- Arsénio (As): Pode ocorrer em matrizes geológicas. Diferenciar formas e ler o limite de deteção do laboratório: «não detetado» não é zero absoluto.
- Mercúrio (Hg): Elemento volátil com limiares rigorosos em suplementos. Comparar apenas resultados com o mesmo método e unidade.
Limites legais e de rotulagem variam por jurisdição. Na UE, o Reg. 2023/915 fixa máximos de Pb, Cd e Hg em suplementos (mg/kg do produto). Prop 65 (EUA) usa réguas por dose em µg. Síntese: metais pesados no shilajit. Não traduzir «compliant» de marketing em segurança individual: leia método, unidade e lote.
Ácido fúlvico, HPLC e outros ensaios
Além de metais, alguns programas de qualidade pedem ácido fúlvico (ex. HPLC ou titulação) e, conforme a forma, microbiologia ou desintegração de comprimidos. Percentagens de fúlvico sem método e sem lote não são comparáveis entre marcas. Deep dive: ácido fúlvico no shilajit. Fitocomplexo: composição.
Erros frequentes ao ler um COA
- Usar um relatório antigo para um lote novo
- Tratar «< LOD» como zero e depois rankear marcas por «pureza»
- Comparar ppm com ppb, ou métodos diferentes, como se fossem o mesmo ensaio
- Confundir compliance de marketing com alegação de saúde ou com superioridade clínica

Perguntas frequentes
Todo o shilajit precisa de COA?
Para decidir com base em risco de contaminantes, sim: sem documento de lote, a pureza fica por provar. A revisão científica sobre material não purificado é explícita quanto a esses riscos.
Onde costuma estar o COA?
No site do fabricante (página de lab results ou do produto), por pedido ao apoio ao cliente, ou por QR/código no rótulo. Se a marca não disponibiliza o relatório do lote, trate a alegação de «testado» com reserva.
Como saber se o COA é do meu lote?
Compare o número de lote no frasco (ou na embalagem) com o lote indicado no relatório. Se não coincidem, o documento não prova o produto que tem em mãos.
ICP-MS é o único método válido?
É o mais referido para o painel As/Cd/Pb/Hg em suplementos. Outros métodos podem ser aceitáveis se o desempenho estiver documentado; o essencial é método + validação + unidade legíveis.
O que significam LOD e LOQ?
LOD (limite de deteção) é a concentração mais baixa em que o método ainda distingue o analito do ruído. LOQ (limite de quantificação) é o nível a partir do qual o laboratório reporta um valor quantitativo com a precisão definida. Um resultado «< LOD» ou «não detetado» significa abaixo desse limiar, não ausência absoluta.
ppm e ppb são a mesma coisa?
Não. Em massa, 1 ppm ≈ 1000 ppb (ou 1 mg/kg ≈ 1000 µg/kg). Confunda as unidades e a comparação entre relatórios deixa de fazer sentido.
Quais metais devem aparecer no painel?
O núcleo habitual em controlo de suplementos é arsénio (As), cádmio (Cd), chumbo (Pb) e mercúrio (Hg). Alguns relatórios incluem outros elementos; o painel mínimo destes quatro é o mais útil para risco tóxico residual.
Um COA com ácido fúlvico prova que o produto é bom?
Não. A percentagem de fúlvico (quando medida por HPLC ou outro método) descreve composição alegada, não benefício clínico nem ausência de contaminantes. Metais e fúlvico respondem a perguntas diferentes; um não substitui o outro. Detalhe: ácido fúlvico no shilajit.
ISO 17025 no laboratório muda alguma coisa?
Acreditação ISO/IEC 17025 indica que o laboratório segue um sistema de competência reconhecido para os ensaios no seu âmbito. É um sinal positivo de processo, mas não dispensa ler lote, método, unidades e data no relatório concreto.
Microbiologia também entra no COA?
Em muitos suplementos, sim: contagens microbianas ou pesquisa de patógenos podem figurar no mesmo pacote documental ou num anexo. Material mineral/orgânico mal processado pode carregar risco microbiológico além de metais; confirme o que o documento cobre.
«Compliant» ou «passa Prop 65» chega?
É informação útil se vier com números, método e lote. Um selo ou frase de marketing sem o relatório por detrás não permite verificar limiares, unidades nem se o ensaio corresponde ao frasco.
Posso comparar duas marcas só pelos ppm do PDF?
Só com cuidado: mesmo método (ou desempenho equivalente), mesmas unidades, e consciência de que limiares e matrizes diferem. Sem isso, um número mais baixo num PDF não prova «mais puro» de forma justa.
Fontes e referências
- Carrasco-Gallardo et al. (2012). Int J Alzheimers Dis. PMC3296184: riscos de material não purificado (metais, micotoxinas, etc.)
- AOAC SMPR 2024.002: Trace Elemental Contaminants in Food and Beverages (ICP-MS): requisitos de desempenho; As, Cd, Pb, Hg; LOQ
- Avula et al. (2010). Quantitative Determination of Multiple Elements in Botanicals and Dietary Supplements Using ICP-MS. J Agric Food Chem.: método ICP-MS validado em botanicais e suplementos
- ConsumerLab: How Products Were Evaluated in the Shilajit Supplements Review: protocolo independente: ICP-MS para metais; HPLC/titulação para fúlvico